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Artigos -> O Prego e o Parafuso

Agora, transferindo esses conceitos para as artes marciais, teremos dois praticantes: o "prego", que acha que basta aprender golpes e técnicas para dominar sua arte marcial, e o "parafuso", que acredita num refinamento maior através da estratégia e da filosofia. O primeiro possui grande força e pode ser um ótimo lutador, mas com o tempo ele "afrouxa", pois a força nunca dura para sempre. O segundo permanece muito tempo com sua habilidade marcial, pois possui modos de aumentar suas vantagens naturais!

Para fincar um prego pode-se usar praticamente qualquer coisa, dispensando o martelo. Para colocar um parafuso, é requerida uma ferramenta específica, de difícil improviso. Da mesma forma, qualquer um pode ser um "prego", bastando ter força suficiente e treinar as técnicas de seu estilo. No entanto, para se tornar um "parafuso", é necessário procurar por uma ferramenta especial, um tipo de conhecimento que nem sempre está ao alcance da mão. O praticante "parafuso" é aquele que busca, não importa onde, material que o capacite a transcender a sua condição inicial de "prego", pois todos começam sua vida marcial como "pregos".

Um "parafuso" não consegue se limitar ao nível de um "prego", percebendo que existe um universo inteiro de conhecimentos que podem ampliar suas vantagens iniciais. Sua busca constante por aperfeiçoamento muitas vezes o colocam à margem dos demais praticantes, sendo encarados como irrealistas, românticos e sonhadores. Já os "pregos" se consideram como grande lutadores e guerreiros, pela sua força e domínio técnico, ignorando que existem grandes vantagens nos estudos teóricos e treinamentos complementares, considerados por eles como "frescuras" e coisas não-utilizáveis num provável confronto.

Enquanto um prego entra com dificuldade, um parafuso usa um artifício engenhoso para cumprir sua função de maneira menos drástica, mais controlada e eficiente, tendo maior domínio sobre a situação do que um prego, já que pode entrar devagar ou rapidamente, ir em frente ou retornar, apertar ou desapertar. Do mesmo modo, um praticante "parafuso" tem maior controle sobre a situação do combate do que um "prego", já que pode usar psicologia, controle do Ki (Chi), e várias aplicações da estratégia para controlar a situação.

Com o que foi dito, podemos reconhecer claramente o praticante "prego" e o "parafuso" entre os nossos conhecidos e colegas. Nenhum demérito existe em ser um "prego", pois todos começamos assim. Apenas temos que parar por um instante e pensar sobre o que queremos para nosso futuro: nos tornar "parafusos" ou permanecermos "pregos" para sempre...

 
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