|
Artigos
-> O Prego e o Parafuso
Em artes marciais é muito
importante saber a maneira correcta de encarar um
oponente. Devemos partir para cima dele ou esperar
seu ataque? Devemos bloquear ou esquivar? É melhor
encurtar a distância ou aumentá-la? Devemos encará-lo
ou fugir? (embora não muito difundida, essa
abordagem sempre existe em um combate real e deve
sempre ser avaliada).
Essa questão pode ser respondida
pelo uso da estratégia, essa parte tão maltratada
do aprendizado marcial de nossos dias. Realmente, é
muito difícil encontrar um praticante de artes
marciais que conheça os princípios mais
rudimentares da estratégia clássica, seja de Sun
Tzu (A Arte da Guerra), Miyamoto Musashi (Livro de
Cinco Anéis) ou outro Mestre. Estes princípios,
criados para a guerra tradicinal entre nações,
possuem tamanha generalidade que podem ser
eficientementes adaptados para o combate a dois ou
mesmo a outras áreas como comércio, marketing, etc ...
O uso da estratégia é um grande
diferencial no desenvolvimento marcial e separar um
praticante que conhece esses princípios de outro,
que os ignora, é como comparar um prego com um
parafuso!
Um prego é algo de que podemos
precisar para unir dois pedaços de madeira. Sua
utilização é muito antiga, remontando a cavilhas
de madeira e peças de bronze utilizadas para unir
inclusive pedras. Como todos sabem, para colocar um
prego no lugar utilizamos um martelo, com o qual
batemos seguidamente em sua "cabeça" até
que penetre onde desejamos.
Um parafuso baseia-se num princípio
conhecido como "parafuso de Arquimedes",
desenvolvido pelo célebre filósofo e cientista
grego Arquimedes, por volta de 220 a.C. Apesar de
sua antiguidade, o parafuso só teve grande utilização
depois da Revolução Industrial no século XIX,
provavelmente devido à falta de tecnologia para sua
produção em grande escala e usando metais. Sob o
princípio da hélice, um parafuso gira e avança
para dentro da madeira, unindo as peças de maneira
bastante sólida, utilizando-se para isso de uma
ferramenta especial, a chave de fenda.
Espero que não se tenha
indignado com essa abordagem de procedimentos tão
corriqueiros, mas talvez muitos nunca tenham parado
para pensar em como essas coisas realmente
funcionam!
Bem, prosseguindo com nossa análise, ambos os
sistemas são bastante úteis, embora de concepção
bem diferente. O prego une as peças por pressão:
é sua intromissão forte e "apertada" que
faz a conexão dos materiais. Devido a isso, e
dependendo do esforço da conexão, com o passar do
tempo o prego se afrouxa. Da mesma forma, retirá-lo
de seu lugar pode se tornar bem difícil devido à
sua situação de aperto. Já o parafuso mantêm a
conexão devido às suas ranhuras, sendo difícil
ele afrouxar com o tempo. Da mesma forma, sua
maneira de "entrar" na madeira torna mais
fácil sua retirada, bastando girá-lo em sentido
contrário.
Criado em 2006, por www.windevpt.com
|